Psicóloga Lucy Sposito, especialista no tema dá dicas aos pais

A clássica postura que os pais costumam adotar, nessa época de escolhas profissionais de seus filhos, é dizer-lhes algo nesta linha: “Não se importe só com a grana que vai ganhar, mas com o prazer que o trabalho lhe dará.” É a máxima dos tempos: “Faça o que ama!” Nada de errado, claro. Mas a questão é saber se esses filhos conhecem bem o que é que gostam de fazer. Tão jovens ainda, têm maturidade suficiente para distinguir entre coisas que lhe interessam e divertem (como uma guitarra tocada com paixão) daquelas que serão seu caminho efetivo e para as quais têm talento e habilidade – no caso, ser membro de uma banda, de uma orquestra – ? Quantas meninas adoram ver ballet! Quantas se dispõem à disciplina e demais exigências da carreira? E, aliás, conseguem dançar bem?

Hobbies e ocupações profissionais se confundem, não raramente. Parece assunto menor, mas é uma séria consideração que devem se fazer todos os envolvidos.

Levando-se em consideração que a adolescência não é bem um tempo de certezas, embora digam os jovens que estão certos sobre tudo, como ajudá-los a fazer escolhas?

Principalmente porque hoje temos áreas muito amplas, que vão de generalistas a especialistas, nas quais eles podem se encaixar. O principal de tudo, e sempre reforço isto, é o autoconhecimento, em que o adolescente consegue perceber suas competências ou limitações, interesses ou falta de, sua capacidade de adaptação ou completa inadequação. Só a partir daí é que se deve buscar informações sobre onde e como utilizar o que já sabe sobre si próprio. Essa geração de Millenials é a que mais tem acesso aos dados informativos  de todos os tempos! É usufruir o maior número deles e diminuir os riscos de decisões incorretas.

“Em períodos de crise como os nossos, devemos escancarar para o filho como anda a economia da família?”

Pessoalmente, não vejo mais esse assunto como delicado ou tabu. É tema que faz parte da vida familiar, já. É o conhecimento obrigatório para saber o que é possível ou não de realizar, ter e ser. O adolescente precisa conhecer o máximo a respeito dessa situação até para estar preparado para o que vier adiante: estágio, emprego, salário, gastos, poupança, investimento.

Nesse microuniverso social, que é a casa, aprende-se a lidar com várias realidades das quais a questão econômica é só mais uma delas.

“Que época!”

É possível que o aluno e os pais pensem assim sobre o 3º ano do Ensino Médio, De fato, o futuro chegou, e espera-se que o jovem tome algumas sérias decisões. Agora, um jantar com o amigo da família, que é publicitário; um encontro com a tia da vizinha, que é pediatra, podem resultar em grandes reflexões e ajudar a construir (ou a destruir, quem sabe) modelos. A escola, além disso, está sempre promovendo a percepção de interesses; os professores contam sobre suas próprias histórias de escolhas feitas. Apesar dos esperáveis tropeços, o último ano escolar promove empatias, vivências pessoais se aproximam e mostram que todos passamos por isso.

Como fazer o diálogo sobre a escolha profissional acontecer?

De maneira mais informal possível. Famílias abertas às conversas aproveitam tudo. Qualquer situação rotineira, em lugares aos quais vão todos, em encontros, filmes, a propósito de comentários achados em blogs, jornais ou feitos pelo filho quando volta ou vai a um estudo do meio. Pode-se “trocar ideias” com o jovem. Pode-se criar situações como idas a teatros, exposições etc. Em doses curtas, mas frequentes, falar sobre escolhas profissionais é bastante saudável.

A casa onde ele ou ela moram

Às vezes, pais e mães se perguntam: ” Devo falar sobre uma escolha profissional com meu filho? Ou devo deixar que qualquer questão parta apenas dele?”

Por mais discreto que se queira parecer, por mais livre e à vontade que se deseje deixar o adolescente, como evitar que certos pontos – como a tendência a um curso que exigirá mudança de cidade, por exemplo – escapem de uma decisão conjunta?

Então, acredito que sim, é muito proveitoso que o jovem saiba que a família permanece unida ao acompanhar todo o processo de escolha, que essa , claro, será dele.

                                                                                      Lucy Sposito (lucy.ls@terra.com.br)

Será num sábado, dia 20 de maio, nosso já tradicional trabalho voltado aos adolescentes que estão em vias de escolher seu futuro curso superior e sua provável profissão. Com toda seriedade. A Escola pensou, ainda, em mirar os lares que são parte integrante desse capítulo das vidas juvenis. Pedimos à psicóloga Lucy Sposito, especialista no tema e orientadora profissional para as 3as séries do Ensino Médio, que desse algumas pistas a respeito de como se cria um clima favorável aos meninos e meninas, diante das novas portas a serem abertas.

 

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